13/09/2011
Chapada in Jazz a homenagem a boa musica.
sons que compões uma trilha sonora tocada por grandes mestres do Jazz nacional e internacional
Chapada in Jazz
Um verdadeiro intercâmbio emocional
CHAPADA IN JAZZ E O DESAFIO DE FAZER CULTURA NA NOSSA TERRA
Por Enio Marcelo Castilho
Texto do Publicitário e Produtor Cultural Enio Castilho, sobre o evento 'Chapada in Jazz' e as dificuldades em se fazer cultura de qualidade em um Estado ainda "provinciano".
Neste domingo, retornei de Chapada dos Guimarães a noite, onde passei o final de semana assistindo o “Chapada In Jazz”. Voltei, como dizem aqui em Cuiabá, “supitado” de cultura de ótima qualidade.
Tive o prazer de estar presente neste evento também em 2009 e ver que nas duas edições as terras sagradas da Chapada receberam um nível elevadíssimo de músicos como Celso Pixinga, os irmãos Eduardo e Roberto Taufic, Ademir Junior, o grupo Galinha Caipira, Nelson Faria, José Namen, Pedro Martins, André Vasconcelos, Davi Feldman, Sergio Groove, Leo Gandelman, Filó Machado e a galera aqui da “terrinha” Ebinho, Sandro Sousa e Sidnei Duarte, entre outros.
O evento estava lindo, o clima propício, o som perfeito, as bandas magníficas, o público em êxtase cultural, porém, nem tudo são flores. Antes da passagem de som no sábado, sentei com Ebinho, que além de músico era o produtor cultural do ‘Chapada in Jazz’, para conversar sobre o evento e perguntei qual valor foi captado para a realização do projeto. Fiquei espantado em receber a resposta: “Algo em torno de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais)”. Mas como? Em um projeto que foi aprovado pela Lei Rouanet com recursos em torno de R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil)?!.
A dura certeza é que foram captados pouco mais de 15% do valor aprovado pelo Ministério da Cultura em 2009. Aí veio minha segunda pergunta, porque, como foi possível produzir um evento daquele porte, com três noites de shows de grande nível, com aquele valor? E a resposta foi simples: o recurso só foi suficiente para pagar a estrutura, a divulgação foi graças a parcerias e os “amigos músicos” vieram tocar por cachês irrisórios. Confesso que ao ouvir isso tive um misto de vergonha e tristeza, porém me senti desafiado a fazer algo para que este tipo de coisa não se repita.
O evento que deveria ser anual, no ano passado não aconteceu porque não houve condições financeiras para sua realização. A entidade idealizadora do Projeto “Casa de Guimarães” precisou de dois anos para convencer alguns empresários a fazerem a renúncia fiscal (dedução de imposto de renda) no valor de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), bem como garantir que a SEDTUR e a Assembléia Legislativa de Mato Grosso dessem um pequeno apoio para que o projeto fosse realizado.
Isso demonstra a falta de visão cultural dos nossos empresários e também da nossa classe política, que vivem apoiando eventos milionários de baixo nível cultural e deixam de apoiar projetos com tamanha magnitude, como o “Chapada In Jazz”. Pasmem, mas o projeto este ano não recebeu nenhum centavo na nossa Secretaria de Estado de Cultura, cuja justificativa era de que não tinham verba para apoio. Lamentável.
Estas atitudes de quem detém o poder político e financeiro, trazem conseqüências drásticas para o público que gostaria de ver outros eventos no mesmo nível e, pior ainda, para os artistas que acabam indo embora, definitivamente, das nossas terras por não conseguirem sobreviver aqui da arte e do talento que possuem. Até quando vamos ver Ebinhos Cardosos, Amauris Tangarás, Marcelas Mangabeiras, Jaymes Ribeiros, Maurícios Detonis irem embora de Mato Grosso? Quando será que vamos conseguir que os nossos artistas, mesmo conquistando o mundo com o seu talento, continuem desfilando pelas nossas calçadas e pelas nossas “rodas” de artistas?
Finalmente o ‘Chapada In Jazz’ será protocolado e certamente aprovado pelo Ministério da Cultura, espero que nosso empresariado corra atrás para apoiá-lo, pois o retorno de marketing cultural para a empresa é inestimável. Espero também que a nossa classe política, esqueça um pouco da politicagem barata e demagoga e pense também na qualidade de eventos culturais como este.
Ebinho, Viviene, Eduardo, Anderson Monstrinho e demais envolvidos no projeto, nunca desistam para o bem da nossa cultura!.
Domingo de Grandes reencontros
Ebinho Cardoso era mais que um musico em cima do palco era um menino com seu contrabaixo
O ultimo dia do Chapada in Jazz foi marcado por grandes reencontros, Abagaba retorna ao palcos e não haveria lugar melhor para que isso pudesse acontecer, Chapada dos Guimarães cidade mágica que trouxe a tona cinco mestres da musica instrumental mato-grossense quem nunca ouvira pelo alguma vez a falar de Abagaba em outras épocas tão sábios que acabaram por influências e ensinar muitos a gostar de musica, com seu Jazz tipicamente do cerrado essa mistura de ritmos deu e continua dando muitos frutos, em um final de tarde iluminados por uma belíssima lua chapadense as ruas de Chapada tinham outras cores, outros sons a o mesmo ritmos, aproveitando a noite o clima e a presença de amigos o show teve até um RasqueJazz coisa que somente esse estilo pode proporcionar, até o grande Filó Machado assistia atento a volta de Abagaba.
E para finalizar a noite de mestres mato-grossenses Ebinho Cardoso e seu Quarteto entre musicas já conhecidas pelo publico sua homenagem foi inteiramente ao cerrado sua paixão declarada Ebinho cantou e conduziu a noite. Novamente ao palco a presença de Sergio Groove, e Grant Stinnet, uma noite maravilhosa regada à emoção reencontro de amigos Ebinho Cardoso era mais que um musico em cima do palco era um menino com seu contrabaixo rodeado de amigos e um publico orgulhoso em ter um representante de nossa terra em terras estrangeiras. Não é por qualquer motivo que vemos uma Chapada cheia em pleno domingo a noite, somente Ebinho Cardoso, e um Festival como o Chapada in Jazz conseguem esses feitos mágicos.
Agora é sé esperar o 3º Chapada in Jazz.
O sábado foi à noite dos mestres e o prodígio
A noite do dia (10) foi marcada pelo encontro de dois mestres do Jazz nacional e internacional Léo Gandelman (RJ) e Filo Machado (SP) ambos os nomes consagrados dentro do cenário musical fizeram do segundo dia do festival uma aula de musicalidade, Léo Gandelman com seu Sax levou todos ao delírio, mais que um musico, Léo Gandelman é um show man com carisma humildade não teve quem não cantasse junto com ele. Logo na segunda musica o publico do Chapada in Jazz já era fã de Léo Gandelman, havia aqueles que vieram de outras cidades somente para ver ou ouvir o musico mais de perto, mesmo que ali em cima do palco, mas para Léo isso com certeza não foi um obstáculo pois como o popular mesmo diz: “ Léo Gandelman foi para a galera “ coisa inédita que somente o Chapada in Jazz pode proporcionar quando todos menos esperavam o musico foi tocar Maracatu atômico, no meio do publico. Claro que ninguém esperava essa quebra de protocolo um tanto quanto inusitada.
Para completar o time de grandes mestres e por falar nisso que mestre, Filo Machado diretamente de São Paulo para o Chapada in Jazz, sobe ao palco com sua melodia tranqüila quase que uma canção de ninar, deixando o publico em silêncio preparando o terreno para a mistura do popular com o jazz, de MPB ao Samba e como que do nada Carinhoso ecoa em meio ao público, foi a surpresa da vez ou a trilha da vez por assim se dizer tão atípico quanto Léo Gandelman tocar Maracatu Atômico em meio ao público foi Filó Machado fazer o publico sambar em um festival de Jazz quebra de protocolo desta vez tenho certeza que isso somente mestres podem fazer, e foi isso que Filó fez levou o publico a cantar novas e velhas canções.
Em meio a estes dois mestres, tínhamos um prodígio “menino” de 18 anos Pedro Martins e um quarteto de novos talentos quem diria que aquele menino com cara de (molequinho) conseguiria deixar muitos músicos presente de boca aberta, e foi isso a nova geração de músicos já tem seu representante, mais do que especial com talento e carisma que cativa e impressiona fato que levou Pedro Martins a tocar ao lado de Léo Gandelman fico imaginando como seria presenciar um dia desses Pedro Martins, Léo Gandelman e Filo Machado no mesmo palco, seria mais que um show seria uma aula de musicalidade, ou melhor, a jazzificação da alma.